Às vezes me pergunto se esse tédio de um final de semana
acontece somente comigo ou se alguém mais o conhecesse. É estranho esperar uma
semana para sentir essa sensação quase que inexplicável, como se uma parte de você
fosse arrancada. Não é por falta do que fazer, não é por falta de companhia, o tédio
simplesmente se implantou em mim.
Hilário, um final de semana é sagrado, são os nossos dias. Temos
um pouco mais de vinte e quatro horas de diversão, este templo claro descontado
nas horas em que ficamos dormindo. Então, eis que aparece o tédio, desnecessário.
O tédio faz qualquer situação ficar ruim, o lugar perde seus encantos e as
pessoas o interesse.
Dominador, envolvente assim é como ele se comporta, e sem
que percebamos, se instaura em nosso interior e modifica tudo aqui dentro. Esse
sentimento humano que exalta a falta de estímulo, a sensação de que o tempo não
passa é enorme, será isso excesso de tempo livre ou de extrema depressão?
Tédio.
Vazio, agora é o momento em que nada se faz necessário, é a
partir daí que as atividades são esquecidas e já não faz mais diferença em
entre comer e ir ao banheiro, de ver um filme ou ler um livro, desde que claro
estas sejam puramente descartadas por ele, mais uma vez o tédio.
Frustração, incertezas, inerência, incapacidade, insatisfação,
por fim infelicidade. Os ins tomaram conta do corpo, já não reage, e ali
deitado fica por horas. O turbilhão de pensamentos dentro da cabeça não para, o
corpo parece perdido e não responde. O que era dia vai se tornando noite e por
ali o corpo continua alienado, complexado, com fome me levanto e vou comer, já
é hora de dormir.
Gustavo Freitas